Dra Ana Carla Andrada

É comum que o paciente chegue ao consultório sem saber o nome do que tem. Sabe que apareceu uma mancha amarelada na pálpebra, perto do nariz, e que não some. Às vezes está lá há meses, às vezes há anos. E a dúvida é sempre a mesma: o que é isso e o que fazer?

Se essa descrição é familiar, provavelmente estamos falando de xantelasma.

O que é xantelasma

Xantelasma é um depósito de gordura que se forma nas pálpebras, geralmente nas bordas internas, próximo ao nariz. Aparece como placas amareladas, de consistência levemente elevada, que crescem lentamente e não desaparecem por conta própria.

A condição é benigna. Não é câncer, não compromete a visão e não causa dor. Mas interfere na estética da região e, o que muita gente não sabe, pode indicar alterações no metabolismo lipídico que merecem atenção médica.

O que causa xantelasma

O xantelasma está frequentemente associado a níveis elevados de colesterol ou triglicerídeos no sangue. Nem sempre, porém. Uma parcela dos pacientes com xantelasma tem perfil lipídico normal, o que indica que outros fatores, como predisposição genética, também estão envolvidos.

Por isso, quando o xantelasma é identificado, a investigação laboratorial faz parte da avaliação. Entender o perfil lipídico do paciente é importante tanto para o tratamento da lesão quanto para a saúde geral.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico é clínico. Um oftalmologista identifica o xantelasma pela inspeção visual da pálpebra, sem necessidade de biópsia na maioria dos casos.

O que é importante na avaliação é verificar o tamanho, a localização e as características das lesões. Isso define qual abordagem terapêutica é mais adequada e quais são as chances de recidiva após o tratamento.

Como é o tratamento

O tratamento do xantelasma depende das características de cada caso. Lesões menores e mais superficiais podem ser abordadas com técnicas menos invasivas. Lesões maiores ou mais profundas geralmente exigem remoção cirúrgica.

O laser de CO₂ é uma das opções disponíveis para o tratamento, com bons resultados em casos selecionados. A cirurgia convencional, com excisão direta da lesão, é indicada para casos de maior extensão.

Um ponto importante: o xantelasma tem tendência a recidivar, especialmente quando o perfil lipídico não está controlado. Por isso, o tratamento da lesão não substitui o acompanhamento metabólico. Os dois caminham juntos.

Quando procurar avaliação

Se você identificou uma mancha amarelada na região das pálpebras, procure um oftalmologista. O diagnóstico é simples e rápido. A partir dele, define-se o que fazer tanto em relação à lesão quanto em relação à investigação metabólica que pode ser necessária.

Quanto antes a avaliação, mais opções de tratamento estão disponíveis, e menores são as chances de recidiva.


Dra. Ana Carla Andrada é médica oftalmologista em Goiânia, com atuação em cirurgia das pálpebras e região periocular. CRM/GO · RQE 21213

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